quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sísifo.

A vida ri-se da nossa vã filosofia, meu caro. Está sempre escapando à aridez dos livros, evitando as prateleiras das bibliotecas. A vida ri-se da escrita, oh homem! Sócrates, Jesus, Sidarta Gautama, sabiam disso muito bem. Mas os fariseus hoje dominam o mundo. Senhores da lei. Desesperados perante o abismo. Não podem saltar.
E assim somos todos. Não nos culpo. Somos covardes, fomos criados para temer. O homem quer controlar porque teme e porque teme e “controla” se faz um corpo estranho à fluidez da Mãe Natureza. E assim definha. Vive uma vida desértica. E se torna sedento. E nada mais o satisfaz. Vamos exaurir a Terra. Cometeremos matricídio. Morremos enterrados em suor, porra, sangue, álcool, e todas as drogas. Uma multidão de neuróticos, obcecados, dopados... Toda sacralidade será expulsa do mundo em nome de nossa fome inorgânica... E mesmo assim, não teremos nenhuma satisfação. Nenhuma satisfação. Como Sísifo rolaremos nossas pedras, rolaremos nossas pedras, rolaremos nossas pedras... Acreditaremos na promessa da civilização, já não temos escolha (?).

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