A vida ri-se da nossa vã filosofia, meu caro. Está sempre
escapando à aridez dos livros, evitando as prateleiras das bibliotecas. A vida ri-se
da escrita, oh homem! Sócrates, Jesus, Sidarta Gautama, sabiam disso muito bem.
Mas os fariseus hoje dominam o mundo. Senhores da lei. Desesperados perante o
abismo. Não podem saltar.
E assim somos todos. Não nos culpo. Somos
covardes, fomos criados para temer. O homem quer controlar porque teme e porque
teme e “controla” se faz um corpo estranho à fluidez da Mãe Natureza. E assim definha. Vive uma
vida desértica. E se torna sedento. E nada mais o satisfaz. Vamos exaurir a
Terra. Cometeremos matricídio. Morremos enterrados em suor, porra, sangue, álcool,
e todas as drogas. Uma multidão de neuróticos, obcecados, dopados... Toda
sacralidade será expulsa do mundo em nome de nossa fome inorgânica... E mesmo
assim, não teremos nenhuma satisfação. Nenhuma satisfação. Como Sísifo
rolaremos nossas pedras, rolaremos nossas pedras, rolaremos nossas pedras... Acreditaremos na promessa da civilização, já não temos escolha (?).
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