Bailamos em fúria durante muitas luas. E eu
contemplo sua pelagem magnífica. Enquanto ele me estrangula. O tigre me concede sua raiva. Eu lhe concedo meu medo. Matar um ao outro não nos é permitido. Matá-lo
seria morrer, diz a voz.
"Oh Senhor, ajude-me a domar este animal, ajude-me a respirar.
"Ajude-me a respirar.
"Ajude-me".
"Oh Senhor, ajude-me a domar este animal, ajude-me a respirar.
"Ajude-me a respirar.
"Ajude-me".
Dormimos exaustos lado a lado, todos os dias. E ele
aparece em meus sonhos.
Então o tigre é o tigre.
A casa é a casa.
E o homem é o homem.
Uma voz exaltada grita dentro, soa como a voz de
meu pai:
“Ensine o tigre a amar.
“Amar infinitamente.
“Até os ossos se partirem, até a morte.
“Aceite o tigre, ensine o tigre, ame o tigre”
“Ensine o tigre a amar.
“Amar infinitamente.
“Até os ossos se partirem, até a morte.
“Aceite o tigre, ensine o tigre, ame o tigre”
Não me parece justo, oh Senhor.
Um tigre é um tigre.
Eu sou só um homem.
A voz dos sonhos me incita a continuar. Mesmo que
eu já não saiba o que fazer. Enquanto o tigre me rasga em pedaços. Sem nunca me
matar. A voz dos sonhos não se cala. Porque eu a deixo falar. E já não me sinto
sozinho. Não estou mais sozinho... com o belo tigre.
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