“Mas então, levantando os olhos, percebeu
Françoise, no meio dos criados, do doutor, de duas velhas parentes, que rezavam
todos ali perto dele. E se deu conta que o amor, purificado de todo egoísmo, de
toda sensualidade, que ele queria tão doce, tão vasto e divino nele, prezava as
velhas parentes, os criados, o próprio médico tanto quanto Françoise, e que
tendo já por ela o amor de todas as criaturas a quem sua alma semelhante à
delas o unia agora, não tinha mais nenhum outro amor por ela. Não podia sequer
conceber sofrer com isso, de tanto que todo amor exclusivo por ela, a própria
idéia de uma preferência por ela, agora se achava abolida.
“Em prantos, junto ao leito, ela murmurava as mais
belas palavras de outrora: ‘Meu país, meu irmão.’ Mas ele, não tendo nem
vontade nem forças para desenganá-la, sorria e pensava que seu ‘país’ não estava
mais nela, porém no céu e na terra inteira. Repetia em seu coração: ‘Meus
irmãos’, e, se a olhava mais que aos outros, era só por piedade, pela torrente
de lágrimas que via correr sob seus olhos, seus olhos que logo se fechariam e
que já choravam. Mas ele não a amava mais e nem de outro modo que ao médico,
que às velhas parentes, que aos criados. E era esse o fim de seu ciúme.”
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