Vivemos na era dos especialistas, na sociedade dos “macetes”,
e parece que nem os nossos relacionamentos íntimos ficam de fora dessa “sistematização”.
Já vi várias vezes na televisão, em livros, em sites, esse tipo de abordagem a
cerca de um assunto tão complexo. Aprender a seduzir para ter mais conquistas
ou para manter a “sua conquista”. Que preço pagamos por essa visão “técnica”
dos relacionamentos? Solidão. A dois, a três, a mil... Solidão.
A idéia básica é que você não deve ser você mesmo
se quiser conquistar alguém, também não deve ser você mesmo se quiser manter
alguém. (A menos que o “você mesmo” corresponda a algum arquétipo do macho ou
fêmea ideiais apresentados por uma mídia que não se importa com sentimentos, a
menos que gerem lucro). É o engessamento “racional” de algo que só flui de
forma saudável na espontaneidade da natureza. De que te serve ter alguém ao seu
lado, se você tem de se manter estranho a esta pessoa? Que espécie de
companheirismo pode surgir de uma mentira?
Na sociedade que tem de se afirmar como feliz – afinal
trabalhamos tanto e produzimos tantas coisas úteis e cômodas – é inviável que
você se mostre como alguém frágil, que tem suas tristezas e frustrações. Não. O
que importa é conquistar e tudo se resume a fricção de pênis com vagina, esse é
o grande prêmio para o seu teatro. E talvez uma vida inteira de solidão,
também.
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