quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Técnicas de sedução e a solidão coletiva.

Vivemos na era dos especialistas, na sociedade dos “macetes”, e parece que nem os nossos relacionamentos íntimos ficam de fora dessa “sistematização”. Já vi várias vezes na televisão, em livros, em sites, esse tipo de abordagem a cerca de um assunto tão complexo. Aprender a seduzir para ter mais conquistas ou para manter a “sua conquista”. Que preço pagamos por essa visão “técnica” dos relacionamentos? Solidão. A dois, a três, a mil... Solidão.

A idéia básica é que você não deve ser você mesmo se quiser conquistar alguém, também não deve ser você mesmo se quiser manter alguém. (A menos que o “você mesmo” corresponda a algum arquétipo do macho ou fêmea ideiais apresentados por uma mídia que não se importa com sentimentos, a menos que gerem lucro). É o engessamento “racional” de algo que só flui de forma saudável na espontaneidade da natureza. De que te serve ter alguém ao seu lado, se você tem de se manter estranho a esta pessoa? Que espécie de companheirismo pode surgir de uma mentira?

Na sociedade que tem de se afirmar como feliz – afinal trabalhamos tanto e produzimos tantas coisas úteis e cômodas – é inviável que você se mostre como alguém frágil, que tem suas tristezas e frustrações. Não. O que importa é conquistar e tudo se resume a fricção de pênis com vagina, esse é o grande prêmio para o seu teatro. E talvez uma vida inteira de solidão, também.

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