É porque reconheci no teu olhar tão esquivo
A mão da Morte que arrancou deste homem
Todo o desejo de me esconder do que Sou
Resta o pesar sobre o dito e feito, jaz a casca no solo
Espero a fertilidade, espero a Primavera
O alento do Anjo
E se hoje me prostro perante o teu altar, mulher
De joelhos frente à
Força Insondável
Que se mostra a mim através da tua face
É para pedir que perdoes o homem indolente que fui,
Agora morto num passado que se arrasta para longe,
Porque não pôde deixar a Verdade falar pela sua boca
E pagou o preço devido por trair a Coragem
Que se mostra a mim através da tua face
É para pedir que perdoes o homem indolente que fui,
Agora morto num passado que se arrasta para longe,
Porque não pôde deixar a Verdade falar pela sua boca
E pagou o preço devido por trair a Coragem
E se hoje me detenho observando tua silueta, mulher,
Que pesarosamente afunda no horizonte longínquo,
É pra jurar que a ferida aberta por te ver se afastar
Será a cicatriz que marcará minha morte e renascimento
As lágrimas que hoje derramo sobre o epitáfio do que fui
Regarão as sementes do que há de vir
Purificado no fogo da dor
Daqui em diante, nada será como antes.
E assim seja.
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