Foi há muito tempo. Medusa tinha uns cinco anos, acredito. Andava de mãos dadas com seu pai no centro da cidade. Um cão atravessou a rua. E por que não atravessaria? Um carro transitava pela rua como era inevitável que ocorresse. O carro atropelou o cão que morreu ali mesmo, como efeito mais do que previsível do que se configurava. Num estalo a pequena Medusa compreendeu. “Não existe acaso! Não existe um milímetro de liberdade neste Cosmo inteiro!”. Desse dia em diante todos que conversavam com ela viravam pedra.
Ela ainda aparece em meus sonhos. Sempre que a pergunto algo ela retruca:
“Você ainda insiste em falar?”.
Ao que eu repondo:
“Cala a boca, aberração!”
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