domingo, 15 de julho de 2012

Esbravejando contra a parede (porque ainda não estou morto).

Quando a economia, que deveria SERVIR ao bem-estar dos homens, torna-se o centro de suas vidas, torna-se a sua adestradora – toma de assalto suas almas e os põe a correr atrás de coisas, gadgets, bugigangas, Ipod’s, tablets e ps3’s – a humanidade chega ao fim. Ficamos, pois, com o animal humano. Devorador. Consumidor. Estúpido. “Pobre, rico ou classe média” o que importa é a grana, o corpo, a vibe, a sensação.
Procurando pela cura de nossa angustia frente à existência, encontramos um hedonismo vazio, pseudo-pagão, imbecilizante, como resposta. A massa ignora que é a angustia que a faz humana, que essa tensão entre o humano e o animal, que somos, deve ser mantida em nome de uma vida criativa, ativa, apropriadora, responsável. Ignoramos o homem, escolhemos o animal, tornamo-nos bestas que não podem ser controladas pela “seleção” natural.
Este mundo torna-se cada vez mais asfixiante para aqueles que vivem para cultivar o homem, para compreender – para aqueles que vivem pela formação, pela construção de si próprios, pela educação. Educação que perde totalmente seu sentido de ser quando tudo que se tem em vista com ela é a “formação” de “profissionais”. Vinte anos de ensino são bem pagos com um punhado de sonhos mesquinhos? O que temos é um treinamento, um esquartejamento, uma formatação, concursos de inteligência, testes de QI... O fim da sabedoria.

A “idiocracia” se avoluma no horizonte próximo. Impulsionados pela crença no consumo como garantia de felicidade, “progresso” econômico, bem-estar social, e todos os mandamentos do liberalismo, consumismo, auto-ajuda pra políticos gordos e especuladores da bolsa – constrói-se a imagem de uma rocha devastada povoada com macacos depilados  muito bem equipados (acredito que nenhum símio me perdoaria por tal ofensa, mas enfim). Que terão, a muito, perdido qualquer noção de responsabilidade. De fato, se o futuro desse planeta depende dos “homens”, então que comecemos já a cavar nossas sepulturas.

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