Todas as pessoas que amaste, situações, experiências e lugares pelos quais vagaste, tornam-se memórias opacas, nomes, palavras vazias; ecos na consciência, com o passar do tempo já não reverberam em nenhum coração; o arrepio elétrico do primeiro toque se perde no mesmo instante em que os corpos se afastam... Silêncio. Não podes parar a marcha incessante do tempo. Constantemente te arrancando pedaços, sem clemência para com o teu apego. Tu, de nenhuma forma, podes reter. Sem nenhum lugar pra te agarrar. Tocas o chão sem tocá-lo. Cair não é possível. O infinito não tem fundo. Estás só, encarando o vácuo. Tu és o vácuo. Nada te pertence, nem tu mesmo. Nada do que tocas existe por si, nem tu mesmo. Tudo se vai e se esvai. Como areia. Pó. Um mundo mutante, povoado por miragens.
E acreditavas saber o que é angústia? “Bem-vindo ao deserto do real”, mortal.
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