Garotinho sentado no banco do ônibus. Sorri para estranhos, sorri para todos. Na sua inocência, não pode ser alcançado pelo medo. Ri da minha pose de mau. Faz-me sentir ridículo. Faz-me querer abandonar essa máscara. Que os anos não te subtraiam essa capacidade tão espontânea de enxergar claramente o que importa, irmãozinho.
Talvez eu nunca mais volte a contemplar tua felicidade gratuita. Quem pode conhecer que caminhos nos aguardam até nosso retorno ao pó? Mas enfrentando o tempo, trêmulo e perdido como qualquer outro homem, entrego estas palavras rasas para o rio do esquecimento: Numa tarde cinzenta de inverno. Com um sorriso no rosto. Por alguns segundos foste real companhia para minha alma solitária.
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