Eu não conheço os limites do meu ser. Eu nem sei
até que ponto ele pode ser dito “meu”. Quanto mais longe caminho no “autoconhecimento”
mais vasto revelo-me a mim mesmo. Mais borrados se tornam os limites entre
exterior e interior. Essa é a base na qual edifico minha humildade, não como um
dever moral posto de “fora para dentro”- ao modo dos fariseus, ao modo de um puro legalismo formal, sem "sentir na pele" -, mas como uma
constatação empírica da pequenez de meu conhecimento a cerca daquilo que sou,
daquilo que devo fazer, do modo como devo estar, do que me é lícito em cada
situação.
Na vastidão desse ser a contradição parece inevitável, a harmonia parece impossível. Mas algo nesse infinito sempre acena com a necessidade de buscar o entendimento entre as partes, com a necessidade de arrumar a casa, de assimilar as regiões escuras e trazê-las a luz. Mesmo que essa tarefa pareça inviável e sendo tão dolorosa como é. Nesse caso ou você se dobra humildemente frente às exigências do ser ou você vive em pecado, em erro, em falta com o que é. E sofre, de qualquer forma.
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